segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lista: No dia do teatro, relembre as grandes adaptações para a telinha

Teatro e televisão sempre estiveram próximos, mantendo, apesar das diferenças, uma linha tênue de aproximação. Ao longo da história da televisão, inúmeras foram as adptações do rádio e do teatro para a telinha que consquistavam cada vez mais os telespectadores. Impossível não lembrar de O Bem- Amado, O Cravo e a Rosa e tantas outras produções que fizeram tanto sucesso nos palcos que acabaram sendo trazidas para a televisão. No dia 19 de setembro, data em que comemora-se o Dia do Teatro, aproveite para relembrar algumas dessas fantásticas adaptações teatrais para a TV.

O Cravo e a Rosa (2000/01) – inspirada em "A Megera Domada" de William Shakespeare e “Cyrano de Bèrgerac”, de Edmond Rostand

O grosseirão Petruchio (Eduardo Moscovis) e a feminista Catarina (Adriana Esteves) eram os protagonistas de O Cravo e a Rosa, trama de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira, adaptada da famosa peça "A Megera Domada" de William Shakespeare. A influência teatral era tão forte na novela que, para dar vida ao triângulo amoroso entre Edmundo (Ângelo Antônio), Bianca (Leandra Leal) e Heitor (Rodrigo Faro), Walcyr Carrasco se inspirou na peça "Cyrano de Bergerac", escrita em 1897 pelo francês Edmond Rostand.

O enredo central conta a história de amor entre Petruchio, dono de uma fazenda produtora de queijos, e Catarina, filha de uma tradicional família rica da cidade. Apesar das farpas constantes que os dois trocavam no início, o homem rude e ignorante foi o único capaz de dobrar a fera, como era conhecida entre os pretendentes anteriores.

Mandala (1987/88) – adaptação de “Édipo Rei”, de Sófocles

A clássica tragédia grega "Édipo Rei", de Sófocles, já adaptada para o cinema, foi utilizada por Dias Gomes para escrever a novela Mandala. Como na história original, Laio (Taumaturgo Ferreira), e Jocasta (Giulia Gam) têm um filho que, como previsto pelos búzios, assassinará o pai e amará a mãe. Após ser raptado por uma enfermeira do hospital a mando do pai, 25 se passam e Édipo (Felipe Camargo) volta à cidade e cumpre a profecia.

Para representar as visões e sensações que fazem parte da vida de Jocasta e Édipo, a novela fez uso de vários efeitos especiais e marcou a estreia na Rede Globo de Giulia Gam, Marcos Palmeira, Jandir Ferrari, Marcos Breda e Chico Diaz.

Roque Santeiro (1985/86) – inspirada em “O Berço do Herói”, de Dias Gomes

A novela, uma verdadeira sátira aos mitos, através do personagem de Roque Santeiro (José Wilker), foi uma adaptação da peça "O berço do herói", escrito por Dias Gomes em 1963. A trama atingiu altos índices de audiência e ditou moda na época, aumentando a venda de perucas, utilizadas por Lima Duarte no papel de Sinhozinho Malta. Além delas, os vestidos colantes e exagerados da víuva Porcina (Regina Duarte) viraram atração de público.

O mito central do enredo gira em torno de Roque Santeiro, que passa a ser visto como santo após ser dado como morto enquanto defendia a cidade de uma invasão do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro).

Carinhoso (1973/74) – inspirada em “Sabrina Fair – A Woman of the World”, de Samuel Taylor

A trama de Carinhoso, de Lauro César Muniz, foi inspirada na peça "Sabrina Fair – A Woman of the World", de Samuel Taylor, encenada em 1953. Apesar de considerar sua história apenas semelhante à obra original, o autor fez questão de escrever para o dramaturgo informando sobre o triângulo amoroso que ele se basearia para escrever a telenovela.

Na história, a jovem Cecília (Regina Duarte), filha de um dos empregados da mansão dos Vasconcellos, se apaixona pelo filho mais novo do patrão e eles engrenam em um relacionamento tumultuado. Eduardo (Marcos Paulo) é imaturo e não consegue levar a relação dois muito a sério. Desiludida, Cecília se torna aeromoça e se muda para Nova York, voltando apenas três anos depois, completamente transformada. Ele amadureceu, e ela está encantadora, mas Humberto (Cláudio Marzo), o filho mais velho dos Vasconcellos, também apaixonado por ela, vai aprontar de tudo para impedir que os dois fiquem juntos.

Os Ossos do Barão (1973/74) – adaptação de “A Escada” e “Os Ossos do Barão”, de Jorge Andrade

A novela Os Ossos do Barão foi uma adaptação das peças "A Escada" e "Os Ossos do Barão", ambas de Jorge Andrade, um dos autores teatrais mais prestigiados na época. Ela foi exibida no horário das dez horas e era a primeira participação do autor em telenovelas.

A adaptação rendeu um enredo baseado na decadência da família de Antenor, filho do barão de Jaraguá, antes um homem muito rico, mas que faliu com a crise de 1929. O descendente arruinado não admite sua atual condição financeira, mesmo depois de ter boa parte dos bens vendidos para o industrial ndustrial Egisto Ghirotto (Lima Duarte). Sem dinheiro, Antenor e a esposa Melica (Carmen Silva), vivem de tempos em tempos na casa de cada um dos filhos.

O Bem-Amado (1973) – adaptação de “Odorico, o Bem-Amado, e os Mistérios do Amor e da Morte”, de Dias Gomes

O Bem-Amado foi uma adaptação de Dias Gomes para a sua peça teatral "Odorico, o Bem-Amado, e os Mistérios do Amor e da Morte" (1962). Sob o pretexto de narrar o cotidiano da população de uma cidade fictícia no litoral baiano, o autor satirizava, com humor e senso crítico, o Brasil da ditadura militar.

A peça foi encomendada em 1961 por Flávio Rangel, que dirigia o Teatro Brasileiro de Comédia, na época. Baseando-se em um fato ocorrido numa pequena localidade no Espírito Santo – um candidato à prefeitura fora eleito prometendo construir um cemitério –, o autor escreveu a peça apressadamente e ficou insatisfeito com o resultado. ""Odorico, o Bem-Amado, e os Mistérios do Amor e da Morte" não foi montada na ocasião e só chegou ao público dois anos depois, publicada pela revista Cláudia. Em 1969, a peça foi encenada pelo Teatro Amador de Pernambuco. Em 1970, estreou no Rio de Janeiro, em uma montagem de Gianni Rato, com Procópio Ferreira no papel de Odorico Paraguaçu. Para a televisão, o autor desenvolveu mais os personagens e criou novos, como Juarez Leão, Donana Medrado e Zelão das Asas.

Nenhum comentário: