sexta-feira, 29 de julho de 2011

#JaneteClair: Elizabeth Savalla pesou 48kg para viver bailarina em Pai Herói

A dança como pano de fundo de uma disputa entre duas belas mulheres apaixonadas. De um lado estava Ana Preta (Glória Menezes), moradora do subúrbio carioca e dona da casa de samba Flor de Lys. Do outro ficava Carina (Elizabeth Savalla), bailarina clássica de sucesso e integrante de uma família rica e tradicional. Em Pai Herói (1979), as duas acabam se envolvendo com André Cajarana (Tony Ramos), jovem que chega ao Rio de Janeiro para descobrir a verdadeira história de seu pai.

Para interpretar uma bailarina, Elizabeth emagreceu e chegou a pesar 48kg. A atriz teve que aprender, em pouco tempo, alguns dos principais passos do balé clássico e, para isso, contou com a ajuda da professora Eugênia Feodorava. Os bailarinos franceses Attilio Labis e Françoise Legreé, da Ópera de Paris, foram convidados a participar das encenações dos espetáculos “Lago dos Cisnes” e “Gisele”, montados especialmente para a novela.

A trama de Pai Herói traz o drama de André Cajarana, que cresceu acreditando que seu pai era uma grande pessoa. Ao sair de Minas Gerais para o Rio, ele decide esclarecer a morte misteriosa do homem que acredita ser um “herói”, mas descobre que o pai não passava de um bandido, e foi acusado de roubo. Em terras cariocas, André também percebe que seu padrasto, Bruno Baldaracci (Paulo Autran), marido de sua mãe, Gilda (Maria Fernanda), era o principal suspeito pelo desaparecimento do corpo.

O vilão nas graças do povo

Por apresentar histórias muito complexas para o grande público, a trama teve uma reviravolta por volta do capítulo 70. Para movimentar a novela, Janete Clair decidiu matar César Reis (Carlos Zara) e o suspense em torno do assassinato permeou até os últimos capítulos. No final, os telespectadores descobriram que Bruno foi o culpado pela morte, já que César descobriu provas que comprometiam o vilão com a justiça. O personagem, que marcou a estreia de Paulo Autran em novelas, conquistou o público, apesar das maldades.

O último capítulo teve um dos mais altos índices de audiência de uma telenovela até então. O público acompanhou a fuga do vilão Bruno que, vestido de pierrô, escapou da prisão a bordo de um helicóptero. Foi também no último capítulo o desfile de Ana Preta na escola de samba Beija-Flor de Nilópolis e a reconciliação, após indas e vindas, do casal Carina e André.

Um novo improviso para o currículo

Mais uma vez, Janete Clair mostrou sua habilidade de improvisar em pouquíssimo tempo. Após Anastácia, a Mulher sem Destino (1967), O Semideus (1973) e Pecado Capital (1975), a autora teve que atualizar a radionovela "Um Estranho na Terra de Ninguém" (1958), da Rádio Nacional, para substituir uma história que Lauro César Muniz escrevia para o horário das 20h. O autor teve que se afastar da emissora para cuidar de problemas de saúde. Surgiu assim, a novela Pai Herói, que tinha como tema de abertura a música “Pai”, de Fábio Jr., apresentada pela primeira vez em Ciranda Cirandinha, em 1978. Falando em trilha sonora, além de músicas de Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Maria Bethânia e Gozaguinha, a trama contava com a canção “Alouette”, em francês, interpretada por Denise Emmer, filha de Janete e Dias Gomes.

A série de reportagens #JaneteClair, publicada no site da Rede Globo, conta a história e curiosidades da obra de uma das principais dramaturgas do país. Em homenagem aos 60 anos da teledramaturgia brasileira, a emissora exibe, de terça a sexta, o especial O Astro, baseado na obra de mesmo nome. A releitura da obra de Janete Clair é escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, tem direção de núcleo de Roberto Talma e direção geral de Mauro Mendonça Filho.

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