sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Jovem sai de favela em São Paulo para estudar música clássica em Israel

Ele superou a dificuldade em tocar, venceu o preconceito por vir de família humilde e hoje um dos seus maiores desafios é viver em um país completamente diferente do seu. Emerson Nazário Silva Oliveira, de 21 anos, deixou os barracos de Heliópolis, a maior favela de São Paulo, para seguir o sonho de ser músico em Israel. Estuda música clássica em Tel Aviv e já mostrou seu talento na Filâmonica israelense.

“Sempre sonhei em estudar no exterior, ser solista. Nada é impossível”, afirma ele. O caminho começou a ser traçado em 2000. Para acompanhar os amigos da escola, Oliveira se inscreveu no Instituto Baccarelli, que ensina música clássica a crianças e adolescentes de Heliópolis, na Zona Sul da capital. O garoto, que até então curtia samba, pagode e rock no rádio, passou. Mas a vaga foi de “suplente” e era preciso esperar que sobrasse um instrumento.

Todos queriam violino. Ele preferia a viola, mas o que sobrou mesmo foi um violoncelo. E foi com esse instrumento que o garoto aprendeu a tocar. “Tem que ter muita força, persistência, fazer com alegria e paixão", ensina o jovem. Ele estava de férias no Brasil e embarcou no dia 12 deste mês para Israel.

No clima da atual novela das oito, Viver a Vida, a Rede Globo está promovendo uma campanha para lembrar que a vida vale a pena ser vivida, apesar das dificuldades e dos obstáculos cotidianos. Venha Viver a Vida dá nome a uma série de reportagens que mostra histórias de superação, em que momentos de tristeza dão lugar à esperança.

Venha Viver a Vida reúne casos exemplares, vividos por gente famosa e por anônimos. Essas reportagens são publicadas no G1, nos sites EGO, GloboEsporte.com, Vídeo Show e na página oficial da novela Viver a Vida.

Sem coordenação

O G1 acompanhou um ensaio da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, na sede do instituto. À direita do maestro Edilson Venturelli, Emerson Oliveira parecia bastante concentrado e à vontade com o violoncelo. Mas nem sempre foi assim. “Eu te confesso que, no início, ele não chamava muito a nossa atenção, não”, brincou o maestro.

“Ele escolheu um instrumento que exige coordenação da mão direita com a esquerda. O Emerson tinha dificuldade com a mão do arco, porque os colegas iam para cima e ele, para baixo”, completa Venturelli. Driblado esse obstáculo, o violoncelista, que passou a jogar menos bola com os amigos nas vielas da favela para estudar música clássica, viu sua vida mudar quando surgiu o convite para tocar no exterior.

A proposta

Era setembro de 2008, quando se apresentou no clube Hebraica, em Pinheiros, Zona Oeste, para um professor de música israelense. Foi tão bem, que recebeu a proposta da bolsa no exterior. A viagem era no mês seguinte. “Tenho um dia para pensar?”, lembra o garoto, sobre a única coisa que conseguiu falar na hora.

Há um ano em Israel, o músico já se familiariza um pouco com o hebraico e se vira melhor no inglês. O sonho é alto. “Queria tocar, se pudesse, em todas as orquestras do mundo". Já teve o privilégio de se apresentar com Zubin Metha, regente da Filarmônica de Israel. Na segunda vez em que se viram, ouviu do maestro: “Aqui eu preciso de você. Toca desse jeito e lidera”, conta Oliveira.

Liderar um grupo de músicos foi difícil para o jovem que ainda teve de superar a timidez. A mesma que ainda sente quando os pais pedem que ele toque para a família. “Até hoje sinto vergonha”, diz, rindo. Para o maestro Venturelli, o futuro é promissor. “O mundo está aberto para ele. O céu é o limite”.

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