Fellipe Camarotto cresceu num bairro da periferia de Osasco, na Grande São Paulo, e nunca imaginou que um dia viajaria para fora do Brasil. Até conhecer o balé. Hoje é bailarino profissional em uma das maiores companhias do país e dança em espetáculos no exterior.Mas o caminho para chegar onde está hoje não foi nada fácil. Contou com a ajuda de amigos e parentes e se esforçou para obter bolsas de estudo e se qualificar para fazer do balé sua profissão.
Fellipe, de 21 anos, é o destaque esta terça-feira (13) na série especial do G1 sobre histórias de superação.
No clima da atual novela das oito, Viver a Vida, a Rede Globo está promovendo uma campanha para lembrar que a vida vale a pena ser vivida, apesar das dificuldades e dos obstáculos cotidianos. Venha Viver a Vida dá nome a uma série de reportagens que mostra histórias de superação, em que momentos de tristeza dão lugar à esperança. Venha Viver a Vida reúne casos exemplares, vividos por gente famosa e por anônimos. Essas reportagens são publicadas no G1, nos sites EGO, GloboEsporte.com, Vídeo Show e na página oficial da novela Viver a Vida.
Aos 9 anos, Fellipe foi a um espetáculo das primas e se interessou pelo sapateado. Ganhou bolsa em uma academia de Osasco e um tempo depois entrou no balé. Começou a tomar gosto pela dança e passou a fazer parte de outros grupos da cidade.
Para pagar as fantasias e se apresentar no fim do ano, contava com a ajuda dos avós. "Meu avô fazia o maior esforço para pagar a fantasia no fim do ano."
Prestes a completar 18 anos, participou da audição para entrar na escola do Balé Bolshoi, um dos mais conceituados do país, em Santa Catarina. "Gravei umas imagens com uma amiga e fui chamado para o exame classificatório. E consegui entrar."
O que parecia ser a realização de um sonho, se transformou em um problema: a escola do Bolshoi não é gratuita e Fellipe não podia pagar a mensalidade nem se sustentar - atualmente, a escola, em Joinville, tem uma casa que abriga dançarinos de outros estados, mas quando Felipe entrou ainda não tinha.
"Eu não tenho família com muitas condições. Minha mãe me ajudou muito. Fomos atrás de patrocínio. A prefeitura ajudou a encontrar um patrocinador de São Paulo, um empresário."
Mesmo com a ajuda financeira, precisou alugar um local em um bairro afastado. Ia na maioria das vezes a pé para as aulas e tinha que fazer todas as atividades domésticas. "Estava sozinho num lugar onde não conhecia ninguém."
Perdeu o patrocínio e passou a contar com a ajuda de um tio, que pagava o aluguel para ele continuar em seu sonho. Na época, a mãe estava desempregada. Felipe não podia trabalhar em outro emprego porque ficava oito horas por dia na escola do Bolshoi.
A mãe de Fellipe, Sonia Maria Camarotto, ajudante de serviços gerais, resolveu ir para Joinville e ajudar o filho. "Trabalhei num mercado e deu para pagar o aluguel. Fui ajudar porque ele não tinha ninguém. Depois ele ficou um tempo com a família de uma menina que dançava lá. A gente teve muita ajuda, mas teve muita determinação dele também."
Há dois anos virou profissional e entrou para companhia jovem do Bolshoi no Brasil. Começou então a colher os frutos de seu esforço. Foi para Rússia e dançou no Teatro Bolshoi, o mais importante palco de balé do mundo. Dançou também no Uruguai e em vários estados do Brasil.
"Quando eu estava na academia, eu sempre falava que eu ia dançar no Bolshoi. É uma referência no mundo todo. Então você quer, mas não tem certeza disso. Fui para Rússia, fiquei três semanas. Dancei com o Bolshoi no Kremlin (sede do governo russo), foi muito especial. Nunca imaginei ir tão longe, mas eu quero mais."
Com o salário de profissional, consegue se sustentar sozinho em Santa Catarina e ainda ajuda a mãe. "Eu consigo ajudar um pouquinho por mês. Mas não é muita coisa, porque o bailarino no Brasil não é muito valorizado."
A mãe não esconde o orgulho: "A gente vê os meninos fazendo coisas erradas. Mas graças a Deus o Fellipe estudou e foi para o Bolshoi. Isso é mais que uma faculdade. Foi até para Rússia."
O plano de Fellipe agora é economizar o máximo que puder para viajar para o exterior e tentar trabalho em uma companhia estrangeira. "Eu já mandei vários vídeos para companhias. Pretendo fazer uma viagem pela Europa para fazer audições. Porque ainda sou novo e porque posso arriscar."
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