A partir do próximo dia 7 de julho, os telespectadores da Rede Globo vão poder acompanhar a nova minissérie da emissora, mais um resultado da parceria com a produtora O2 Filmes, de Fernando Meirelles. Som & Fúria mostra o cotidiano de uma conceituada companhia estadual de teatro durante a montagem de quatro peças de Shakespeare e é baseada na série canadense "Slings and Arrows". A adaptação foi uma ideia do próprio Meirelles, que se empolga ao contar a velocidade com que o projeto foi conduzido.- Essa série aconteceu muito rápido. Na verdade, eu assisti à série canadense em 2007, achei muito interessante e mandei umas cópias para o Guel Arraes (diretor de núcleo da Rede Globo), que também gostou muito. Então, sugeri a adaptação e em duas semanas a Globo topou. Traduzimos o texto e, quatro ou cinco meses depois disso, já estava tudo rodado - comemora Fernando Meirelles durante a coletiva de imprensa que aconteceu na última quarta, dia 24, no Teatro Municipal de São Paulo, principal cenário da minissérie.
"Hamlet", "Sonho de uma Noite de Verão", "Macbeth" e "Romeu e Julieta" são as quatro peças encenadas durante a minissérie que tem números que impressionam. Mais de 500 figurinos foram confeccionados para os 120 atores envolvidos no projeto e cinco diretores conduziram as filmagens, cujo resultado equivale a seis longas-metragens. Mas isso não é o que mais impressiona Fernando Meirelles, que dirigiu três dos 12 capítulos de Som & Fúria.
- O que me impressiona nessa série são o texto e o ótimo elenco. E me encanta a possibilidade de poder apresentar alguns trechos de peças de Shakespeare de uma maneira que eu tenho certeza que o espectador vai entender. Na verdade, ele é um autor muito popular. As peças dele eram apresentadas para a massa e, aos poucos, foi virando uma coisa meio acadêmica. Eu acho que essa série faz Shakespeare voltar a essa cultura popular - contou Meirelles.
"Shakespearé um autor muito popular. As peças dele eram apresentadas para a massa e, aos poucos, foi virando uma coisa meio acadêmica"
Na hora de adaptar o texto para a realidade brasileira, Fernando Meirelles esbarrou com situações que não fariam o menor sentido por aqui e colocou o nosso bom humor a favor da trama.
- Existe uma cidade lá perto de Toronto que vive do teatro de Shakespeare. Ela se chama até Stratford, que é o nome da cidade onde ele nasceu. E isso não existe aqui. Então, na adaptação, a gente criou como se fosse uma companhia oficial de teatro do estado, uma companhia estável que apresenta peças clássicas aqui nesse palco. E, evidentemente, as piadas canadenses não servem todas para cá e no Brasil existe um outro tipo de piada. No original, existia um conflito entre o teatro e o cinema americano. Por que isso é um problema do Canadá, grandes atores canadenses são chamados e vão para Los Angeles e se tornam estrelas. Só que isso não funcionaria no Brasil, então, eu coloquei o conflito do teatro com a televisão.
Diretor aclamado no cinema, Fernando Meirelles também tem o maior prazer em fazer televisão. Feliz com a parceria com a emissora, que já rendeu frutos como as séries Antonia e Cidade dos Homens, ele comemora a liberdade artística e o público alcançado com estes trabalhos.
- Uma série de televisão a gente faz em um tempo muito mais curto e é vista por 20 milhões de pessoas. É uma maravilha. Ainda mais tendo a relação que eu tenho com a Globo, com o Guel Arraes, que é um parceirão e me dá toda liberdade. Para se ter uma ideia, a gente entra no ar daqui a duas semanas e, até agora, a Globo asistiu só aos quatro primeiros episódios. Não estão pressionando e confiam. É absolutamente portas abertas - comemora Meirelles.
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